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Atualizado em 08/11/2013 - Notícias para informação e intercessão.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Após 6 meses, 'Primavera Árabe' vive de violência e incertezas

Tunísia e Egito, que começou a julgar ex-presidente, avançam lentamente, mas incerteza persiste em outros países palcos de levantes populares.



Da BBC

Cartaz mostra ditadores de países do mundo árabe (Foto: AP)Cartaz mostra ditadores de países do mundo árabe
'enforcados' (Foto: AP)

Mais de seis meses após seu início, a 'Primavera Árabe', onda de levantes populares que começou na Tunísia e se espalhou por vários países da região, se encontra em um impasse de violência, mortes, frustrações e dúvidas quanto a mudanças práticas.

No início do ano, com as atenções da mídia internacional voltadas para o fenômeno, os protestos eram vistos como uma onda pacífica de mudanças rumo a reformas, democracia e destituição de governos no poder havia décadas.

Transformações aconteceram na Tunísia e Egito, onde os presidentes desses países renunciaram devido às pressões populares.

Mas a Líbia passa por uma guerra civil, enquanto que as manifestações na Síria e Iêmen são reprimidas com extrema violência e não há sinais de que os governantes vão renunciar.

Já no Bahrein, as manifestações pró-democracia foram reprimidas e extintas pelo governo, e ativistas e membros da oposição foram presos.

'Em pleno verão no Oriente Médio, a Primavera Árabe gera apenas dúvidas e suspeitas. Ninguém sabe o que realmente vai produzir, nem mesmo na Tunísia e no Egito, onde houve relativas mudanças e sucesso em tirar do poder os ditadores', diz o analista Rami Khoury, diretor do Instituto Fares, da Universidade Americana de Beirute.

Segundo ele, as mudanças acontecem de forma lenta e passarão por 'diversas fases de correções'. 'É difícil prever um futuro para a região, mas cada país terá uma realidade diferente, desafios e resultados diferentes', completou Khoury.

Leia nos anexos uma compilação da situação em cada um dos principais países que foram palco dos protestos populares da Primavera Árabe.

Manifestantes na Tunísia, país onde começaram as revoltas populares (Foto: AFP)Manifestantes na Tunísia, país onde começaram as
revoltas populares (Foto: AFP)

Tunísia
A Primavera Árabe começou neste pequeno país do norte da África. Descontentamentos da classe média e pobre com desemprego, corrupção, pobreza e falta de liberdades políticas levou a levantes populares contra o então presidente Zine El Abidine Ben Ali, que estava no poder havia 23 anos.

Após a renúncia de Ben Ali, no dia 14 de janeiro, um governo provisório foi nomeado e uma série de reformas políticas e econômicas anunciadas, incluindo eleições para uma Assembléia Constituinte para julho deste ano.

Mas o governo adiou o pleito para outubro, alegando a necessidade de mais tempo para organizar a votação e a necessidade de um maior diálogo nacional.

Jornais árabes falam que, de todos os outros países em processo de mudanças, a Tunísia é o que vem levando sua revolução de forma mais coesa, com uma variedade de partidos com ideologias diversificadas atuando sem conflitos extremos, incluindo liberais seculares e islamistas.

Mas as reformas econômicas têm sido lentas, de acordo com jornais tunisianos, e a população reclama da demora no julgamento de pessoas ligadas ao antigo regime, embora Ben Ali tenha sido julgado à revelia.

Junto a isso, os grupos sociais mais secularizados começam a temer a força cada vez maior dos partidos de ideologia mais islamista, gerando dúvidas quanto ao futuro do secularismo no país.

Imagens do confronto no Egito, país que ainda enfrenta desafios após queda de presidente (Foto: Getty Images)Imagens do confronto no Egito, país que ainda
enfrenta desafios após queda de presidente
(Foto: Getty Images)

Egito
Foram 18 dias de protestos inspirados na revolução na Tunísia, e ao menos 850 mortos, após forças de segurança abrirem fogo contra manifestações pacíficas nas ruas da capital, Cairo, e outras cidades do país considerado o mais importante e influente do mundo árabe.

A pressão popular e interna entre os militares obrigou o presidente Hosni Mubarak a renunciar, encerrando 30 anos no poder. O Egito é governando por um governo provisório liderado por um conselho militar das Forças Armadas.

Mas a euforia por mudanças deu lugar a divergências sobre o caminho a seguir sobre reformas entre os diversos grupos políticos e movimentos que se uniram nos protestos em massa contra Mubarak.

Reformas vêm sendo supervisionadas pelos militares, entre elas um referendo polêmico que foi aprovado pela população prevendo emendas à atual Constituição e eleições para uma Assembléia Constituinte, que deverá elaborar uma nova Carta a ser aprovada também por um referendo.

Grupos de jovens ativistas, que lideraram os protestos, se mostram receosos e frustrados com a lentidão das reformas e do julgamento de membros do antigo regime e com o poder dos partidos islâmicos, cuja agenda política gera desconfianças dos seculares.

Mesmo com o julgamento do ex-presidente Mubarak, que teve início nesta quarta-feira, a população começa a desconfiar dos militares, até então respeitados pela maioria dos egípcios, e temem que reformas econômicas e políticas só acontecerão para atender as elites e manter os privilégios dos militares.

'Além de tudo isso, temos também uma luta de grupos variados, de islamistas a seculares, de feministas a jovens liberais. As tensões vêm aumentando e ninguém sabe aonde o Egito vai parar', disse Paul Salem, diretor do Centro Carnegie para o Oriente Médio em Beirute, e que esteve recentemente no Egito para um conferência sobre o futuro eleitoral do país.

Segundo ele, os recentes conflitos religiosos entre muçulmanos e cristãos coptas no país só elevaram o medo de seculares.

'Qualquer sucesso da experiência democrática no mundo árabe passa pelo Egito. Se fracassar neste país, aumentam as chances de fracasso nos outros países da região', salientou Salem.

Bombardeios aéreos da Otan não conseguiram deter a máquina de guerra de Khadafi, na Líbia (Foto: Reuters)Bombardeios aéreos da Otan não conseguiram deter
a máquina de guerra de Khadafi, na Líbia
(Foto: Reuters)

Líbia
Em poucas semanas, a população Líbia tomou as ruas e exigiu reformas e a queda do líder Muamar Khadafi, que desde 1969 está no comando do país. Em uma questão de dias, cidades do leste e do oeste foram tomadas pelos manifestantes.

Renúncias de políticos locais e comandantes militares, antes aliados de Khadafi, deram um fôlego para a oposição. Alguns embaixadores líbios no exterior também anunciaram que estavam se juntando à 'vontade popular', deixando a impressão de que Khadafi não resistiria às forças das ruas.

Mas logo a resistência do líder líbio mostrou-se maior do que se imaginava. Com a maioria das Forças Armadas ao seu lado, o governo em Trípoli iniciou uma campanha militar contra grupos armados da oposição, que na mídia internacional já eram chamados de 'rebeldes'.

Nem mesmo bombardeios aéreos da Otan, embora tenham enfraquecido a máquina de guerra de Khadafi, contribuíram para encerrar a guerra civil que já dura mais de cinco meses e deixou milhares de mortos e feridos na Líbia.

Analistas no Oriente Médio são unânimes em apontar o fator militar como determinante para o resultado diferente de Tunísia e Egito. Segundo eles, os militares tunisianos e egípcios, obrigados ou não, escolheram o caminho de reformas e ficaram ao lado de suas populações, já que ostentavam seu respeito e admiração.

Mas no caso da Líbia, os militares são uma extensão do regime e de Khadafi, que possui ainda uma extensa rede de milícias e esquadrões da morte que solidificavam seu poder e reprimia qualquer dissidência.

Essas milícias são comandadas por pessoas leais aos valores do regime, geralmente da mesma tribo ou do mesmo clã de Khadafi, sem qualquer comprometimento com a sociedade líbia ou o Estado.

Segundo colunistas árabes, é verdade que os rebeldes estão hoje mais bem organizados do que há cinco meses, e já fizeram vários ganhos territoriais depois de quase serem derrotados no campo de batalha, mas é arriscado dizer se ainda conseguirão derrubar o regime de Khadafi.

Crise na Síria levou milhares de pessoas a deixar o país  (Foto: Reuters)Crise na Síria levou milhares de pessoas a deixar o
país (Foto: Reuters)

Síria
Protestos na Síria começaram em março de forma discreta, mas ganharam força após o governo reprimir a população usando o exército e prender milhares de pessoas através da polícia secreta.

Havia ceticismo quanto à capacidade de mobilização dos sírios, mas cidades foram aderindo às manifestações contra o presidente Bashar al-Assad, que há 10 anos comanda o país depois de suceder seu pai, Hafez al-Assad, que liderou a Síria com mão de ferro durante mais de 30 anos.

A crise na Síria levou milhares de pessoas a deixar o país na condição de refugiados na Turquia e no Líbano. Ao menos 1.500 pessoas já morreram depois que o governo enviou tanques e soldados para acabar com os protestos em diversas cidades.

Segundo analistas, a situação na Síria chegou a um impasse para ambos os lados -, governo e população estão firmes em suas decisões de não ceder ao outro lado. Enquanto os protestos vêm aumentando e ganhando adesões de cidades a cada episódio de repressão, o governo faz questão de mostrar sua força e enviar mais tropas para coibir e acabar com dissidências.

No último domingo, na cidade de Hama, ao menos 150 pessoas morreram depois de uma ofensiva militar das tropas do governo contra a cidade. O ataque gerou ainda mais protestos e a condenação internacional das potências ocidentais, incluindo uma reunIão do Conselho de Segurança da ONU.

Analistas, no entanto, não enxergam uma resolução do impasse no país, e alertam que essa situação pode durar meses, paralisando a já combalida economia da Síria e levando a um aumento da violência, que poderia fugir ao controle.

Iêmen tem grupos militantes armados e a presença da Al Qaeda em seu território (Foto: AP)Iêmen tem grupos militantes armados e a presença
da Al Qaeda em seu território (Foto: AP)

Iêmen
O Iêmen também é palco de um levante popular para tirar do poder o presidente Ali Abdullah Saleh, no cargo há 30 anos. Mas diferentemente de outros países árabes que passam por revoluções, o Iêmen tem o agravante de ter grupos militantes armados e a presença da Al Qaeda em seu território.

'Isso por si só já deixa o país em uma situação extremamente instável e delicada, com movimentos populares pedindo reformas e grupos extremistas e terroristas podendo se valer de um eventual vácuo no poder para ter ganhos e aumento de sua presença', disse o analista independente iemenita Muhamad Ali Sultan.

Uma proposta de países do Golfo Pérsico para a saída de Saleh e uma transição de poder não foi aceita pelo governo. Os protestos aumentaram e a violência já deixou centenas de mortos, segundo grupos de defesa dos direitos humanos.

Além do levante popular, o governo enfrenta grupos armados no interior do país, que é visto por observadores estrangeiros como um candidato forte a se transformar em uma nova Somália, um Estado falho e sem leis.

'A comunidade internacional está com os olhos voltados para a Líbia e para a Síria, enquanto que o Iêmen passa por um impasse sem esperança de uma resolução a curto e médio prazo', disse Sultan.

Movimentos pró-democracia no Bahrein foram dominados e não há a perspectiva de um retorno, dizem analistas (Foto: AP)Movimentos pró-democracia no Bahrein foram
dominados e não há a perspectiva de um retorno,
dizem analistas (Foto: AP)

Bahrein
O pequeno país no Golfo Pérsico possui uma população majoritariamente xiita (cerca de 70%), mas é controlado pela família real sunita Al Khalifa. Os protestos pró-democracia tiveram a adesão de sunitas também, mas o governo acusou a oposição de realizar um levante xiita que visava um golpe à monarquia.

Após a morte de alguns manifestantes, o governo se desculpou coma população e prometeu reformas. Mas a população continuou nas ruas exigindo amplas mudanças no país e maior direito de participação na política.

Sem conseguir reprimir as manifestações, o governo recorreu à ajuda da Arábia Saudita, que enviou tropas para restabelecer a ordem e reprimir os protestos. Vários integrantes de partidos políticos de oposição e ativistas pró-democracia foram presos acusados de 'conspirar contra o governo'.

Segundo analistas, os movimentos pró-democracia no Bahrein foram dominados e não há a perspectiva de um retorno aos protestos como acontece nos outros países árabes. Ainda de acordo com eles, a Arábia Saudita, receosa de que mudanças em países vizinhos possam alimentar movimentos em seu território, não permitirá uma volta de protestos no Bahrein.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Extremistas muçulmanos incendeiam igrejas



ZANZIBAR (36º) - Extremistas muçulmanos incendiaram uma igreja em Zanzibar, ilha na costa da Tanzânia, no sábado, 30 de julho, três dias após a instalação de uma congregação, disseram os líderes da igreja. O templo foi reduzido a cinzas.

Em Fuoni, na costa sul de Zanzibar, extremistas islâmicos incendiaram o prédio da igreja Assembleia de Deus da Tanzânia (EAGT), que queimou por quase duas horas, disse o pastor Leonard Massasa, supervisor das Assembleias de Deus em Zanzibar. Os agressores gritavam: “Fora com esta igreja, nós não queremos infiéis para estragar nossa comunidade e nossos filhos”, relatou o pastor Massasa.

“Amanhã é domingo: meus membros, que são quase 40 pessoas, não terão um lugar para cultuar a Deus”, disse o pastor Paulo Magungu, da igreja EAGT de Fuoni. Demonstrando medo em sua voz, o pastor ainda acrescentou: “Relatamos o caso à delegacia de polícia. Espero que a justiça seja feita.”

Em Kianga, a cerca de 10 km de Zanzibar, outro prédio de uma igreja foi incendiado na quarta-feira, 27 de julho, queimando por duas horas, disse o pastor George Frank da Igreja Evangélica Pentecostal Livre na África. O incêndio ainda destruiu 45 cadeiras do templo.

“Eu tenho 36 membros e vai ser muito difícil eles se reunirem amanhã”, disse o pastor no sábado, 30 de julho. “Os membros estão com medo, pois não sabem o que os muçulmanos estão planejando fazer. Pedimos a Deus para nos ajudar a enfrentar este momento.”

Na ilha de Pemba, vizinha a Zanzibar, existe a suspeita de que extremistas muçulmanos tenham destruído um templo da igreja Adventista do Sétimo Dia, dia 17 de junho, segundo uma testemunha. “Foi por volta de 1 da manhã que vi a igreja pegar fogo”, disse um vizinho, que pediu anonimato. “Há algum tempo, houve problemas e os muçulmanos não deixavam que a igreja construísse seu prédio.”


Tradução: Lucas Gregório


Fonte: Compass Direct

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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Ramadã - tempo de orar pelo mundo muçulmano

PORTAS ABERTAS BRASIL
Peregrinos em Meca

MUNDO MUÇULMANO - Ontem foi o início do Ramadã para os islâmicos. O Ramadã é o nono mês do calendário islâmico, no qual se acredita que o profeta Maomé recebeu a revelação da parte de Alá, por meio do anjo Gabriel, dos primeiros versos do Alcorão. De acordo com o islamismo, Maomé estava andando em um deserto perto de Meca em 610 d.C. Isso aconteceu onde atualmente localiza-se a Arábia Saudita. Esse ano o Ramadã será do dia 1º de agosto até o dia 30 do mesmo mês.

"Na história muçulmana, o Ramadã é frequentemente marcado por revoltas e vitórias", recorda Abdullah al-Amadi, responsável pelo site Islamonline. "Acredito que os jovens da Primavera Árabe irão se inspirar para ter ainda mais força na luta contra a injustiça e a tirania", analisa.

Para ele, as manifestações serão mais fortes especialmente nos últimos 10 dias do mês, que são ainda mais sagrados. O Ramadã, ou mês da piedade, é também definido por inúmeros muçulmanos como o mês do esforço e sacrifício, o que pode motivar ainda mais os manifestantes.

Na Síria existem mais de 10 mil mesquitas que todas as noites recebem uma quantidade considerável de fiéis, manifestantes em potencial. Os Comitês de Coordenação da Revolução Síria esperam que isso aconteça. "O regime está aterrorizado com o Ramadã e as orações noturnas de Tarawih", lê-se na página do Facebook "Syrian Revolution 2011".

Na Líbia, os que tomaram as armas contra o regime de Muamar Kadhafi esperam o Ramadã com um sentimento de grande determinação, ainda que encarem com apreensão os novos combates.

No Iêmen, onde o movimento de protesto iniciado em janeiro perdeu força devido a divisões na oposição e a incerteza sobre as reais intenções do presidente Ali Abdullah Saleh, hospitalizado em Riad desde um ataque em junho, nada pode prever como irão se desenrolar os acontecimentos.

Mas os jovens manifestantes que ainda acampam em Sana se mostram determinados a retomar o movimento durante o Ramadã. "Este será o mês da mudança, ainda mais porque Ali Abdullah Saleh não está no Iêmen", acredita Walid al Omari, um dos porta-vozes do movimento.

Nós, da Portas Abertas, queremos incentivá-los a orarem assim como nós faremos. A equipe da Portas Abertas Brasil terá a possibilidade de demonstrar de forma prática um de nossos valores centrais que diz: “somos pessoas de oração”.

Dedique um tempo do seu dia e também ore pelos cristãos terão que enfrentar essa difícil fase nesse mês.

Para saber mais sobre o Ramadã, acesse nosso blog clicandoaqui.





Fonte: AFP

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

ONG afirma que mais de 16 mil somalis vivem no meio do nada no Quênia

ONG afirma que mais de 16 mil somalis vivem no meio do nada no Quênia

Nairóbi, 1 ago (EFE).- Mais de 16 mil refugiados somalis que fogem da crise da fome em seu país vivem no meio do nada devido à saturação dos acampamentos no Quênia, advertiu nesta segunda-feira a organização não governamental defensora dos direitos da infância Save the Children.

'O número de refugiados que fogem da crise alimentícia na Somália é tão elevado, que existe um atraso de mais de 16 mil pessoas para identificar nas entradas dos campos de refugiados do Quênia', afirmou a ONG em comunicado emitido em Nairóbi.

Essas pessoas 'se veem obrigados a viver fora e no meio do mato, em refúgios improvisados com os materiais que vão encontrando'. Além disso, 'as famílias, muitas delas com crianças pequenas, estão vivendo sem as mínimas condições de higiene e longe de clínicas, escolas e outros serviços', destacou a organização.

A Save the Children explicou que o atraso na identificação destas pessoas se deve à 'falta de funcionários trabalhando no processo de registro', e fez uma chamada às autoridades do Quênia para aumentar os recursos nos campos.

'Todos os meninos e meninas que fogem da fome e da guerra na Somália chegam exaustos ao campo, mas agarrados à vida. Temos que fazer algo mais que obrigá-los a viver no mato', ressaltou o responsável pela ONG no Quênia, Prasant Naik.

O campo de refugiados de Dadaab (leste do Quênia), que tem capacidade para 90 mil pessoas, abriga atualmente mais de 400 mil, na maioria somalis, o que transforma esse espaço no maior campo de refugiados do mundo.

No último dia 20 de julho, a ONU declarou oficialmente estado de crise de fome em duas regiões do sul da Somália, Bakool e Lower Shabelle, algo inédito neste país durante as últimas duas décadas. Quase metade da população, 3,7 milhões de pessoas, sofre com a crise, sendo que 2,8 milhões vivem no sul, indicam os dados das Nações Unidas.

A seca que castiga o Chifre da África é a pior na região dos últimos 70 anos e seus devastadores efeitos mantêm em situação crítica cerca de 11 milhões de pessoas, segundo a ONU.

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Interceda pelo "Chifre" da África

Refugiados da fome na Somália iniciam o jejum do Ramadã e outras notícias

Refugiados da fome na Somália iniciam o jejum do Ramadã

REUTERS

Por Richard Lough

DADAAB, Quênia (Reuters) - Milhares de pessoas que fugiram da fome na Somália, enfraquecidas por meses de seca no país, começaram nesta segunda-feira o período de jejum do mês muçulmano do Ramadã, em meio às tendas e choças do maior acampamento de refugiados do mundo.

'Por causa da fome, já estamos mesmo há muitos dias sem comida', disse Mohamed Dubow Saman, de 25 anos, confortando a filha, diante de um abrigo emergencial no acampamento de Dadaab, na fronteira da Somália com o Quênia.

'Aquele foi um jejum sem recompensa. Pelo menos este jejum é inspirado em Deus', afirmou. Pessoas doentes não precisam jejuar durante o mês do Ramadã, um período sagrado para os muçulmanos. Mas a maioria dos acampados, afetados pela mais severa seca nas últimas décadas na região do Chifre da África, no nordeste do continente, parecem determinados a manter as tradições.

O Ramadã ocorre numa época difícil para a população islâmica dessa parte da África. Em áreas da região, propensa a secas, é o quarto ano seguido de escassez de chuvas, dizem os camponeses. A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou que todo o sul da Somália pode ser afetado pela fome. No total, mais de 12 milhões de pessoas estão sentindo os efeitos da estiagem no Chifre da África.

Em algumas partes do país militantes islâmicos que empreendem um levante para derrubar o governo estão impedindo a distribuição de alimentos.

O presidente somali, xeque Sharif Ahmed, iniciou um giro por países da região, iniciando pelo Djibouti, no fim de semana, para enfatizar a importância de entrega de ajuda primeiro no próprio país, de modo que a população da Somália não tenha que se deslocar para outros lugares.

'Não queremos que nossos compatriotas tenham de realizar duras jornadas até outros países para receber ajuda', declarou ele à Reuters.

CONFERÊNCIA AFRICANA

A União Africana está planejando realizar no dia 9 de agosto, na Etiópia, uma conferência de chefes de Estado da África e parceiros internacionais para arrecadar dinheiro destinado aos afetados pela seca.

'Em todo o mundo, todos têm de pôr a mão no bolso para resgatar o povo da Somália do abismo em que se encontra', disse o vice-comissário da União Africana, Erastus Mwencha, durante visita à capital da Somália, Mogadíscio, na semana passada.

Ao anoitecer no superlotado acampamento de refugiados, uma menina conduzia a família, levando um tapete com inscrições do Alcorão. Eles eram os últimos, entre milhares de refugiados, a chegar ao local, inicialmente destinado a receber 270 mil pessoas, mas agora com mais de 400 mil, na grande maioria somalis.

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